-Tahyane Rangel-
Assassinato consumado
O marido se livrou do fardo
Não podia avaliar o que sentia a mulher
Se era triste, se era feliz ainda que assim...
Se tinha dores, se não as tinha
Mas podia avaliar a sua própria dor
A dor de ter que conviver com
a mudança do corpo, sem beleza?
Certamente!...
A dor de ter que dedicar um tempo
a alguém que já não lhe valia a pena.
Imprestável fisicamente,
dependente, que miséria de gente!
Sem saber o que lhe ia na mente!?
Se tinha plena consciência dos fatos...
Se assim decidiu viver, lutando bravamente
De nada ele sabia, só sabia da sua propria dor!
Era preciso lhe dar um pouco de dignidade
como um último presente!
Deixa-la morrer de fome e de sede,
isto é: pela desnutrição e desidratada
Este seria seu ato de misericórdia!
Que peso, que fardo!
Se a lei permite, porque não?
Assassinato legalizado
sem ter que carregar
na consciência o fardo!
Por enquanto...
NOTICIÁRIO EM 31/03/2005
Morreu hoje a americana Terri Schiavo após 13 dias sem receber alimentação e água devido ao desligamento da sonda que a mantinha viva por decisão judicial. A morte ocorre após uma intensa batalha legal, iniciada há sete anos e intensificadas nas últimas semanas com uma série de apelos dos pais de Terri para mantê-la viva.
*******
Casos Similares
Como é possível a cada um de nós saber o que se passa na alma de uma outra pessoa?
Qual a sua vontade?...
Quais são os seus sentimentos, a sua dor, a sua missão?
Como saber se está consciente?
Quantas pessoas em estado de coma vêem o que se passa a sua volta,
quantas narrativas deste tipo temos dos próprios sobreviventes...
Quantas pessoas decidem lutar bravamente até que chegue a hora certa da sua partida?...
O direito a sua purgação foi tirado não por Deus, mas por homens que assim se julgam, que decidem sobre a vida de outros e decretam a sua morte.
Enquanto imperar o sentimento individualista, muitas outras Terris existirão
muitas guerras urbanas, muitos pedaços de nós se perderão!
Tahyane Rangel