A PORTA
Irmão Haroldo - SEGRAV
Muitas são as portas com as quais nos deparamos.
Portas imponentes que nos amedrontam mais que acolhem.
Outras singelas demais para nosso gosto apurado
e nosso senso estético tão desenvolvido.
Outras ainda que nos chamam, como que nos abraçando
num convite amável e receptivo.
Mas nós nem sempre percebemos a porta certa
e nos dirigimos àquela que corresponde
aos nossos anseios mais fortes e freqüentes.
Se queremos riquezas, enxergamos as portas
revestidas de ouro e mármore.
Se procuramos paz, enxergamos
as grandes portas de pinho e de madeira nobre
que encerram os templos espirituais.
Se queremos trabalho, enxergamos
os grandes portões de aço e metal.
Se queremos diversões, só temos olhos
para as portas de vidro.
E aí quando paramos e questionamos
sobre o nosso caminho, a nossa vida;
ficamos sem saber qual é a porta da nossa felicidade.
Sei que é assim porque já entrei
por todas essas portas que citei.
E posso lhes garantir que não foram de todo inúteis,
me serviram de experiência.
Hoje porém, vejo que, na verdade, não existem portas.
Nosso caminho é um só, nós é que colocamos as portas.
Cegos pelas paixões, ilusões e desejos,
vamos caminhando a esmo, procurando
a satisfação dos nossos sentidos.
A verdadeira porta que temos que atravessar
é a do nosso "escudo corporal",
para caminharmos rumo ao nosso interior.
Este sim, é o possuidor de toda a felicidade
e todo o discernimento que precisamos
para as nossas verdadeiras escolha
Fiquem em paz.
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